terça-feira, setembro 03, 2013

Conflito

Sempre que penso que penso
Paro de pensar e esqueço.
Já nem isso mereço...
Perdi todo o meu senso.

Afinal, nada disso importa
Calo-me e fecho a porta
Escondo-me num canto,
Só, dentro de mim próprio.
Recobro-me com o meu manto
Refugiando-me do meu ódio.

Como é feroz esta tempestade
Nesta longínqua cidade
Chamada de mente
Que já pouco sente...
Demente mente afundada
De ti não resta nada...

Apenas com o meu lenço...
Paro de pensar e esqueço. 

quarta-feira, julho 24, 2013

Invocação

Oh Sócrates,
Se o amor é uma doença
Porque é que não tem cura…
Porque é que tem de ser uma sentença
Sem se saber quanto tempo dura…

Oh Sócrates,
Porque sou eu puro amante
Cujo desejo é constante,
Neste coração latejante…
Mas que tão depressa desvanece
E rapidamente se esquece.
Insano desejo profano,
Como pode ser isto humano...
Deixa-me por momentos ser normal
Não quero voltar a fazer mal
Com esta máscara de amante.
Apanha-me em flagrante!
Mata este ser que não quero ser!
Deixa-me simplesmente viver...

Abstracto

Flui no meu pensamento...
Liberta-te no abstracto
Que em ti não existe.
Senta-te onde eu me sento,
Não sejas sensato,
Continua, persiste...
Rodopio de coisa nenhuma
Escondido pela bruma.
Conjunto de pedaços
Ligados por laços
Como interligados
Num circuito, fechados...
És aquilo que não és,
Na busca do teu "eu"
No recôndito convés
Que um dia fora meu.

Flui no meu pensamento.
As folhas continuam a cair
E as flores a florir.
Nada pára por um momento...
Apenas a tua mente
Pára dentro do movimento.
Esquisito comportamento
De quem não sente...
Como se importasse
E fluindo se levasse
Pelo meu pensamento
Numa viagem abstracta,
(Impura)mente sensata...

terça-feira, abril 30, 2013

Miradouro Senhora do Monte


Como magia, naquele momento
Todos os meus problemas
Voaram com a força do vento,
Superando todos os poemas
Que algum dia tivesse lido,
Como se tivesse renascido...
Oh! Senhora do monte.
Todos por ti terão de passar
Antes de a terra deixar...
Destaca-se no horizonte
O castelo imponente
E o azul do Tejo luminescente,
O sol de fronte
E o S. José no outro monte.
Lá do outro lado o Cristo Rei
Como que abraçando a ponte
Que eu um dia atravessei.
Continuando-se pelo Bairro Alto.
Tudo parece estar no mesmo plano
Não se sente nenhum salto...
Neste que é território lusitano.

Como se de um quadro tratasse
E os raios de sol o pintassem... 
Oh! Senhora do monte!
Minha plenitude, minha fonte...

domingo, março 24, 2013

O que será que existe?


O que será que existe?
Pergunta que persiste
A cada pensamento...
Às vezes, passam horas
Até que cansado me sento,
Enquanto me devoras
Ó pensamento constante!
Completamente incessante.

O que será que existe?
Será esta pergunta apenas
Reflexo da minha alma triste…
Que, como ganhando penas,
Tenta voar para o desconhecido
Onde sempre queria ter vivido.
Ou será apenas um reflexo
De algo bem mais complexo,
Algo sem qualquer nexo...
Que me permite esquecer
Aquilo que me faz entristecer... 

sexta-feira, março 08, 2013

Dia da Mulher


Como és bela, mulher...
Vejo em ti a perfeição
Que faz acelerar o meu coração
Deixas inquietado o meu ser
Com toda a tua beleza...
Nos cabelos ondula a leveza.
Nos olhos, a doçura transmites,
E na pele, o calor emites.

No mundo das emoções
Vives na constante preocupação
Por aqueles que estás rodeada.
Gostas muito de amar
E adoras ser amada...

Tens uma forma de pensar
Que me faz ficar sem ar...
A apneia instala-se em mim,
Num estado de surpresa sem fim.
Como és única, mulher! 

sábado, março 02, 2013

Lágrima


A lágrima escorre pela face,
Brilhante e paciente,
Bastante suavemente
Daquele que, amor, julgasse
Ser o seu refúgio…
E agora, no chão sujo
Vive só, sem ninguém.
A dor sempre vem
Mas nunca vai...
Nunca do coração sai.
Triste e cruel tropismo
Despido de sentimentalismo.
Resta apenas a respiração…
Profunda solidão... 

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Noite Noturna


Pelas paredes ecoam 
Os meus passos apressados
Que pelo nada são guiados.
Que estranho soam
As ausências dos sons diurnos
Muitas vezes inoportunos...

Tudo parece parado...

Apenas ouço o meu Fado
Ao fundo desta rua
Que a noite tornou nua...
E a calma penetra-me na pele.
Não existe em mim qualquer fel...
Como se a paz existisse
E eu apenas a assistisse...