quinta-feira, dezembro 29, 2011

A vida passa...

Caminho por esses trilhos da vida
Sem pressa nem preocupações.
Às costas vou trazendo as lições
Que a vida me vai ensinando
Enquanto por este trilho vou andando.
Por esse caminho sem fim
Que um dia terminará, sim...
Que contradição infeliz
Mesmo sendo eu um aprendiz.

Sei que ainda no início estou,
Mas sei que para o fim vou...
Todos nós no fundo sabemos
Mas vamos fingindo que não percebemos.
Vamos adiando o inevitável.
E por vezes até a felicidade
Colocamos como sentimento abdicável.
Preocupamo-nos com tanta futilidade
E perdemos tanto tempo parados
A olhar para o nada, prostrados...
Vendo passar o tempo pelos dedos,
Que a cada dia perdem mais forças
E as preocupações tornam-se medos
A cada dia que menos te esforças...

Cada dia que passa,
Se não te esforçares,
É um dia que perdes:
Se dele não aproveitares
Cada minuto,
Cada segundo,
Cada instante da vida
Verdadeiramente sentida!

Rua Deserta

Caminho pela rua deserta,
Deambulando sem pensar.
A noite quase a acabar
E a madrugada alerta…

As pessoas essas,
Desapareceram...
Por essas travessas,
Em casa adormeceram.

O som do meu andar,
Pelas paredes faz eco.
Som assustador e seco,
Como ondas do mar
Num dia violento
Com imenso vento...

Deserta está a rua,
Como estando nua...
Mas daqui a umas horas
Vestindo a roupa que adoras,
Voltará a acordar,
Para um novo dia recomeçar.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Simples Natureza

O sol irradia o chão
Deste quarto frio.
Aquecendo o meu coração
Que com a luz se abriu.

Como se o tempo parasse
E eu nem sequer reparasse,
Fico aqui sentado,
Olhando para o mesmo lado.
Olhando a luz do sol,
Ouvindo o rouxinol.

Chilreiam a toda a hora,
Os pássaros lá fora.
Mil e uma músicas cantam
Que a mim me encantam.

Existirá algo com mais beleza
Que a simples natureza?

quarta-feira, setembro 14, 2011

Amor (In)correspondido

Ainda ontem te vi.
Mas se ao ver-te,
Para mim, eu te queria,
Meu coração não conseguia
Nem lembrar, nem reconhecer-te.

Ainda hoje te revi.
Mas já nada é igual:
Pois quando se mente
Nunca mais o mesmo se sente!
E não é que  esteja muito mal
Porque no amor já estou habituado:
Lutar, para no fim não ser amado...

Amanhã te verei.
Mas uma coisa eu sei,
Por ti não mais sofrerei!

quinta-feira, julho 07, 2011

Vento

Enquanto caminho,
Sem qualquer alento,
Sinto o vento.
Mas quando corro,
Com toda a força,
Não sinto o vento.

Será que o vento só existe
Quando nele nos refugiamos,
Ou será que o vento desaparece
Quando dele não precisamos?

Não sei.
Neste momento,
Apenas sinto o vento.

quarta-feira, abril 20, 2011

Minha Musa

Minha Musa,
A minha música
Anda muda
A minha música
Anda surda.

Minha Musa,
Muda a minha música
Muda o meu mundo,
Quero que seja autêntica
Quero que no fundo,
Seja minha a minha música.
E não de outro qualquer
De outro qualquer ser.

Minha Musa,
Sem ti não consigo,
Sem ti sou um mendigo.
Sem ti morrerei
Sem saber o que sei,
Sem sentir o que sinto:
Viverei sem instinto!
Sem ti não tem sentido:
Viverei sem ter vivido…

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Sociedade Violenta

Olhei pela janela do meu Mundo.
Julgava que iria ver um ambiente fecundo,
Uma sociedade harmoniosa e cooperante,
Onde a Paz fosse dominante.
Mas não foi isso que vi!

Olhei pela janela do meu Mundo
E o que vi foi Violência!
Bastou olhar por um segundo,
Para sentir esta turbulência.
Sim, foi isto que vi.

Uma sociedade violenta,
Numa condição de morte gradual e lenta.
Caminhando para a destruição,
Sem sequer ter a mínima noção.
Fechei os cortinados e adormeci.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Medicina

A verdadeira Medicina
É mais que uma profissão,
É uma forma de vida,
Que a mim me fascina.
E não é essa que mostram na televisão,
Essa não é verdadeiramente sentida,
É pura ficção.

Porque a verdadeira Medicina,
É aquela que me fascina.

Escrever

Ainda no outro dia me perguntaram
Porque ando a escrever em vez de viver.
Com esta pergunta me aniquilaram!

Apenas respondi:
-Para mim, escrever é viver!
Melhor me senti. 

Silêncio

O silêncio não é mais
Que um conjunto de colcheias.
Um conjunto de pautas mentais,
Por onde passeias.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

O café

Vim para o café,
E pelos vidros observo
Pessoas apressadas a pé.
Triste vida esta,
Que faz do ser humano, seu servo.
E esperava eu que a vida fosse uma festa,
Uma festa de alegria e felicidade,
De amor e carinho,
Animada.
Mas, nesta cidade,
Tudo passa, nada fica.
Lisboa, sempre apressada.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Problema Existencial

  Não sei porque existo, não sei porque escrevo, no fundo não sei, simplesmente isso. Mas será que é suposto saber? Será que vivemos para saber o porquê de vivermos? Ou "fizeram-nos" seres com esta " boa capacidade" de pensar para no fundo não conseguirmos pensar naquilo que realmente nos aflige. Será que, será que? No fundo a vida resume-se a um vasto leque de incertezas, de medos, de receios, de indecisões, que nos desgastam e consomem, que nos fazem também crescer como pessoas - uma certa antítese que se coloca. 
     Mas simplesmente não sei, mas penso nisso, para quê? Novamente, não sei.

Sociedade

   Hoje sinto-me particularmente deprimido nesta sociedade consumista de coisas fúteis, nesta sociedade culturalmente inculta, nesta sociedade sem paixão nas suas raízes, sem patriotismo, numa sociedade que se preocupa em ser livre mas nem sabe o que é liberdade, numa sociedade entranhada nas trevas do desconhecimento da verdadeira arte, numa sociedade despreocupada, numa sociedade em que os jovens estudantes universitários são capazes de dizer que são "obrigados a estudar", numa sociedade que perdeu a noção do que é ganhar a vida com as próprias mãos, numa sociedade que tende a esquecer a miséria em que os seus antepassados viveram para criar todos os luxos e mais alguns que temos à nossa disposição, numa sociedade esquecida daqueles que realmente sofreram durante muito tempo e que tentaram lutar a favor de aquilo que julgavam ser justo e correcto: "a liberdade", sim, "a liberdade", e não a libertinagem que se vê pelas ruas nos dias que correm, numa sociedade em que só se fala de crise e o consumismo a aumentar, numa sociedade em que um aumento de preços dá origem a uma revolução, numa sociedade que não tem noção que ela própria é a "sociedade", numa sociedade que não sabe distinguir entre dinheiro e felicidade, numa sociedade depositada no fundo de um balde de crude, numa sociedade que faz guerras santas, numa sociedade educada segundo números, numa sociedade cuja educação não passa de mais um parâmetro para nivelar o estatuto do país perante o Mundo, numa sociedade que corre de um lado para o outro sem sequer olhar para o lado e pensar porque o faz, numa sociedade triste e obcecada pela crise, numa sociedade em que os livros e os discos são meros objectos, numa sociedade irracionalmente inteligente, numa sociedade em que tudo justifica uma mera greve, numa sociedade que não sabe revolucionar e justificar devidamente as suas manifestações, numa sociedade que simplesmente trabalha e não sente aquilo que faz, numa sociedade que faz de tudo para ficar em casa em vez de ir trabalhar, numa sociedade despreocupada com o futuro, numa sociedade despreocupada com o ambiente e com tudo o que envolva a mãe Natureza, numa sociedade que se julga no topo da Natureza, numa sociedade, principalmente, deprimida.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Sentimento

Gosto tanto do vento.
Gosto tanto do sentimento.
Querem ambos voar por aí
Sem preocupações,
Sem quaisquer razões.

Num dia bom, são suaves.
(Refrescantes)
Num dia mau, são impetuosos.
(Destruidores)

Excerto 21

O Mundo é o meu quarto.
O Mundo é o meu espaço.
O meu quarto é o espaço onde vivo.

Porque nem tudo tem explicação.
Nem com a própria razão.
Simplesmente, coração.

Excerto 10

Sempre senti,
Sempre amei,
Mas nunca vivi
O que te contei.

Excerto 1

Quando te falei pela primeira vez
Nunca pensei que o fosse sentir,
Nunca pensei que algo fosse surgir.
Mas algo aconteceu em mim: a mudez.