sexta-feira, janeiro 21, 2011

Sociedade

   Hoje sinto-me particularmente deprimido nesta sociedade consumista de coisas fúteis, nesta sociedade culturalmente inculta, nesta sociedade sem paixão nas suas raízes, sem patriotismo, numa sociedade que se preocupa em ser livre mas nem sabe o que é liberdade, numa sociedade entranhada nas trevas do desconhecimento da verdadeira arte, numa sociedade despreocupada, numa sociedade em que os jovens estudantes universitários são capazes de dizer que são "obrigados a estudar", numa sociedade que perdeu a noção do que é ganhar a vida com as próprias mãos, numa sociedade que tende a esquecer a miséria em que os seus antepassados viveram para criar todos os luxos e mais alguns que temos à nossa disposição, numa sociedade esquecida daqueles que realmente sofreram durante muito tempo e que tentaram lutar a favor de aquilo que julgavam ser justo e correcto: "a liberdade", sim, "a liberdade", e não a libertinagem que se vê pelas ruas nos dias que correm, numa sociedade em que só se fala de crise e o consumismo a aumentar, numa sociedade em que um aumento de preços dá origem a uma revolução, numa sociedade que não tem noção que ela própria é a "sociedade", numa sociedade que não sabe distinguir entre dinheiro e felicidade, numa sociedade depositada no fundo de um balde de crude, numa sociedade que faz guerras santas, numa sociedade educada segundo números, numa sociedade cuja educação não passa de mais um parâmetro para nivelar o estatuto do país perante o Mundo, numa sociedade que corre de um lado para o outro sem sequer olhar para o lado e pensar porque o faz, numa sociedade triste e obcecada pela crise, numa sociedade em que os livros e os discos são meros objectos, numa sociedade irracionalmente inteligente, numa sociedade em que tudo justifica uma mera greve, numa sociedade que não sabe revolucionar e justificar devidamente as suas manifestações, numa sociedade que simplesmente trabalha e não sente aquilo que faz, numa sociedade que faz de tudo para ficar em casa em vez de ir trabalhar, numa sociedade despreocupada com o futuro, numa sociedade despreocupada com o ambiente e com tudo o que envolva a mãe Natureza, numa sociedade que se julga no topo da Natureza, numa sociedade, principalmente, deprimida.

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