quarta-feira, julho 24, 2013

Invocação

Oh Sócrates,
Se o amor é uma doença
Porque é que não tem cura…
Porque é que tem de ser uma sentença
Sem se saber quanto tempo dura…

Oh Sócrates,
Porque sou eu puro amante
Cujo desejo é constante,
Neste coração latejante…
Mas que tão depressa desvanece
E rapidamente se esquece.
Insano desejo profano,
Como pode ser isto humano...
Deixa-me por momentos ser normal
Não quero voltar a fazer mal
Com esta máscara de amante.
Apanha-me em flagrante!
Mata este ser que não quero ser!
Deixa-me simplesmente viver...

Abstracto

Flui no meu pensamento...
Liberta-te no abstracto
Que em ti não existe.
Senta-te onde eu me sento,
Não sejas sensato,
Continua, persiste...
Rodopio de coisa nenhuma
Escondido pela bruma.
Conjunto de pedaços
Ligados por laços
Como interligados
Num circuito, fechados...
És aquilo que não és,
Na busca do teu "eu"
No recôndito convés
Que um dia fora meu.

Flui no meu pensamento.
As folhas continuam a cair
E as flores a florir.
Nada pára por um momento...
Apenas a tua mente
Pára dentro do movimento.
Esquisito comportamento
De quem não sente...
Como se importasse
E fluindo se levasse
Pelo meu pensamento
Numa viagem abstracta,
(Impura)mente sensata...